sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Por que Jesus Cristo veio à Terra? - B.B. Warfield


Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.  (1ª Timóteo 1:15)




Cristo Jesus veio para salvar pecadores.

Não veio, então, meramente preparar salvação para eles; abrir para eles um caminho para a salvação; remover os obstáculos no caminho da salvação deles; introduzí-los a condições de vida em que uma vida limpa torne-se possível pela primeira vez; dar motivos para uma ação santa; quebrar nossa inimizade para com Deus através de uma exibição de seu amor; manifestar a nós o que o pecado é para Deus, e como ele nos visitará com o seu desprazer. Todas estas coisas ele sem dúvida alguma fez. Mas todas estas coisas, juntas, formam o conjunto de seu trabalho para o homem. Em nenhuma interpretação da natureza ou alcance do seu trabalho pode ser dito que Cristo Jesus veio para fazer estas coisas. Temos que ir mais fundo, e dizer com a Igreja primitiva, nesta fiel declaração comandada a nós pelo apóstolo, que Cristo Jesus veio para salvar pecadores.

Temos que tomar esta grande declaração na altura e profundidade de seu tremendo significado. Jesus fez tudo o que está incluído na grande palavra 'salvar'. Ele não veio para nos induzir a salvarmos a nós mesmos, nem para nos ajudar a nos salvarmos, nem para permitir que nos salvemos. E é por isso que ele é chamado pelo nome Jesus - porque ele deveria salvar seu povo de seus pecados. A glória de nosso Senhor, além de todas as outras coisas que o glorificam, é que ele é nosso completo Salvador; nosso Salvador ao extremo. Nosso conhecimento, ainda que seja um dom dele para nós como nosso Profeta, não é nosso salvador, seja este conhecimento tão amplo, profundo e alto como pode ser. A Igreja, mesmo sendo seu presente para nós como nosso Rei, não é nossa salvadora, seja ela tão santa e verdadeira como deve ser, a noiva do Cordeiro. A sociedade reorganizada em que ele nos colocou, mesmo sendo o produto de seu santo domínio sobre a Terra redimida, não é nossa salvadora, seja ela a própria nova Jerusalem, vestida em sua beleza e descendida  dos céus.

Cortemos ainda mais profundamente. Nossa própria fé, ainda que seja o vínculo de nossa união com Cristo, através da qual recebemos todas as suas bençãos, não é nossa salvadora. Nós temos apenas um Salvador; e este é Jesus Cristo, nosso Senhor. Nada que nós somos e nada que possamos fazer entra na menor medida no terreno de nossa aceitação para com Deus. Jesus fez tudo. E fazendo tudo, ele se tornou, no mais completo, amplo e profundo sentido que a palavra possa carregar - nosso Salvador. Para este fim ele veio ao mundo - salvar pecadores; e nada menos que a verdadeira e completa salvação de pecadores irá satisfazer a conta de seu trabalho dada por seus próprios lábios e repetida por eles por todos os seus apóstolos.

É com certeza neste grande fato que está toda a essência do evangelho. Não podemos nunca esquecer que o evangelho não se trata de bons conselhos, mas de boas novas. O evangelho não nos ensina o que devemos fazer para ganharmos a salvação por nós mesmos, mas proclama o que Jesus fez por nós. É a salvação, uma completa salvação, que é anunciada a nós; e o refrão desta mensagem são apenas as palavras do nosso texto - que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores.

Fonte: The Power of God Unto Salvation, pp. 47-50.
Via: Reformed Bibliophile

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Recebendo a Garantia da Salvação




Como, então, passamos a ter esta certeza? A Escritura declara que o Espírito Santo testemunha com os nossos espíritos que nós somos filhos de Deus. O testemunho interno do Espírito Santo é tão vital quanto complexo. Ele pode ser subjugado a severas distorções, sendo confundido com subjetivismo e auto-ilusão. O Espírito dá seu testemunho com a Palavra e através da Palavra, nunca contra a Palavra ou sem a Palavra.

Como é possível haver uma falsa certeza de salvação, é mais do que urgente que nós busquemos o testemunho do Espírito na e através da Palavra. Falsa certeza geralmente provêm de um entendimento defeituoso da salvação. Se alguém falha em entender as condições necessárias para a salvação, a certeza, na melhor das hipóteses será um palpite de sorte.

Portanto, nós insistimos que doutrina correta é um elemento crucial na aquisição de uma base sólida para a certeza. Isso pode até mesmo ser uma condição necessária, ainda que de jeito nenhum uma condição suficiente. Ter um entendimento sólido da salvação não é garantia que temos a salvação que nós tão profundamente entendemos.

Coram Deo

Agradeça a Deus pelo testemunho de Seu Espírito e Sua Palavra, que proporciona a certeza da sua salvação.

Passagens para Estudo Adicional:

Filipenses 2:12
Romanos 10:10
Romanos 1:16

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

sábado, 18 de agosto de 2012

Encarando Nossos Medos




Nós somos frágeis mortais, entregues a todo tipo de temores. Nós temos uma insegurança embutida, que nenhum assobio no escuro pode acalmar. Nós buscamos garantia concernente às coisas que nos amedrontam.

A proibição mais frequentemente proferida que qualquer outra por nosso Senhor é o comando "não temam." Ele disse isso com tanta frequência para Seus discípulos e outros que Ele encontrara que isso soa quase como uma saudação. Onde muitas pessoas saúdam as outras dizendo "oi" ou "olá", as primeiras palavras de Jesus na maioria das vezes foram "não temam."

Por que? Possivelmente a predileção de Jesus para estas palavras nasceram de seu agudo senso do medo que agarra a todos os que se aproximam do Deus vivo. Nós tememos Seu poder; nós tememos Sua ira; e muitos de nós tememos Sua rejeição final.

A garantia que nós precisamos é a garantia da salvação. Embora sejamos relutantes em pensar muito sobre isso ou contemplar sua profundidade, nós sabemos - mesmo apenas intuitivamente - que a pior catástrofe que poderia cair sobre nós é sermos visitados pela ira punitiva final de Deus. Nossa insegurança é piorada pela certeza de que nós merecemos isso.

Coram Deo

Ouça a Palavra de Deus para você hoje: não tema!

Passagens para Estudo Adicional

Isaías 41:10
Lucas 12:32
Hebreus 13:6

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Confrontando a Escuridão




Charles Colson fala de uma moderna "volta a Idade das Trevas." Quando eu penso na original Idade das Trevas, eu penso em um período onde a cultura estava em declínio e o progresso do conhecimento era estático.

Mas hoje nós lemos sobre o problema da explosão de conhecimento. Este é um tempo onde informação e comunicações são grandes ocupações. Nós ouvimos o clamor das universidades de que o conhecimento em cada campo de investigação está crescendo tão rapidamente que ninguém pode assimilar, mesmo na mais estreita das especialidades. A era do "especialista" acabou. A palavra especialista deve agora ser definida em termos relativos.

Se o conhecimento é luz e a luz está explodindo em magnitude, como podemos falar de uma nova Idade das Trevas? A escuridão está no coração. É uma escuridão produzida por uma capa cobrindo a face de Deus.

Trinta anos atrás, eu li um livro escrito pelo teólogo e filósofo judeu Martin Buber. O livro de Buber tem um título sinistro: The Eclipse of God [O Eclipse de Deus]. Isto é o eclipse da nossa era. Uma sombra passou sobre a glória de Deus. Nós somos um povo que não tem Deus na mente. Nós retornamos à caverna de Platão, onde preferimos as sombras dançantes nos muros de opiniões sem fundamento, ao invés da luz da verdade.

Coram Deo

Peça a Deus para dissipar a escuritão em sua própria mente, alma e espírito através de Sua maravilhosa luz.

Passagens para Estudo Adicional

Oséias 4:1
Lucas 11:52
Habacuque 2:14

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento




Todos somos teólogos

Como Washer aponta não podemos escolher entre Jesus e doutrina. É como amar alguém sem querer conhecê-lo. Na verdade, não tem como escaparmos de teologia (do grego, teo – Deus, logia - palavra, ciência). Quando afirmamos “eu não quero nada dessa coisa de teologia; eu só quero a Deus”, já estamos fazendo teologia, pois estamos afirmando que Deus existe e que devemos buscá-lo. Quando dizemos “eu não quero nada dessa coisa de doutrina; eu só quero Jesus”, já estamos crendo na doutrina de que Jesus é Deus, deve ser buscado e pode ser encontrado. Sproul e Harris corretamente afirmam:
“Nenhum cristão pode evitar a teologia. Todo cristão é um teólogo. Ele pode não ser um teólogo no sentido técnico ou profissional, mas ainda é um teólogo. A questão não é ser ou não ser um teólogo, mas se somos bons ou maus teólogos.” (R. C. Sproul, citado por Dave Harvey em Quando Pecadores Dizem Sim”)
“Todos somos teólogos. A questão é se o que sabemos a respeito de Deus é verdadeiro.” (Joshua Harris, em Cave Mais Fundo)
Tudo bem, eu sei que  quando uma pessoa faz este tipo de afirmação, ela está se referindo a um conhecer frio sobre Deus – o que é, de fato, ruim. Mas não é porque há um extremo em um lado que devemos ir para o extremo oposto. Se você quer encontrar um bom equilíbrio neste assunto, eu recomendaria o livro Pense – A Vida da Mente e o Amor de Deus, de John Piper, onde ele mostra na Bíblia que glorificar a Deus com nossa mente e coração não é “ou pensar” “ou sentir”, e sim “tanto pensar como sentir”.

Ame a Deus, conhecendo-o mais

No vídeo, Washer afirma que cerecemos de motivação para vivermos a vida cristã porque desconhecemos muitas coisas. Ele lista cinco. Se você quer atiçar o fogo do seu amor por Criso através do tição do saber, quero dar uma lista de bons conteúdos para ajudá-lo.
1) Quem Deus é
Livro - O livro O Deus Presente de D. A. Carson é uma excelente oportunidade de conhecer a Deus ao longo da revelação de toda Escritura.
E-book – O blog Voltemos ao Evangelho publicou em e-book o livro O Único Deus Verdadeiro, de Paul Washer. É um excelente guia de estudo sobre os atributos de Deus. Ideal para grupos pequenos e escolas dominicais.
Vídeo e Áudio - Na última Conferência de Jovens falamos sobre a Centralidade de Cristo. Recomendo todas as pregações, mas as de Tim Conway foram especialmente úteis em ajudar-me a amar a Cristo, buscando conhecê-lo mais intensamente.
2) Quem eles eram
Livro - O clássico Nascido Escravo de Martinho Lutero será de grande ajuda para entender os efeitos da queda.
Vídeo e Áudio – Confira a pregação de Josafá Vasconcelos sobre A Visão de Pecado dos Puritanos.
3) O que Cristo fez
Livro - Compreender o Evangelho é fundamental para todo cristão. Os livretos O que é o Evangelho?, de Greg Gilbert, e A Verdade da Cruz, de R. C. Sproul, são excelentes lugares para começar. Outro bom livro é Deus é o Evangelho de John Piper. Nele Piper argumenta que nenhuma das realizações de Cristo, narradas nos evangelhos, e nenhuma das bênçãos do evangelho são boas-novas, se não forem meios pelos quais podemos ver e experimentar a glória de Cristo.
Vídeo e Áudio – Em 2011 nossa Conferência de Jovens tratou exclusivamente sobre O Que é o Evangelho?. Também recomendo que você veja as pregações de nossa Conferência sobre Justificação pela Fé. Confira ainda as pregações de Brian Edwards sobre Graça, Maravilhosa Graça e a Supremacia de Cristo, de Tom Nettles sobre A Pessoa e o Trabalho de Cristo de Paul Washer sobre As Maiores Palavras das Escrituras.
4) O que se tornaram
Livro - O livro Finalmente Vivos de John Piper fala sobre regeneração e novo nascimento. Você pode ver um pouco do livro, bem como uma resenha do mesmo, no blog Voltemos ao Evangelho.
Vídeo e Áudio – Confira a pregação de Paul Washer sobre a diferença entreRegeneração e Decisionismo
5) O futuro que os aguarda
Vídeo e Áudio – Confira a pregação de John Blanchard sobre A Glória de Deus e o Lar Celestial do Cristão.
Que este conteúdo edifique sua alma e o leve a conhecer e amar mais a Deus.
Para Glória de Deus e Edificação da Igreja,
Vinícius

Transcrição

Uma das razões porque não temos ou temos pouca motivação para viver a vida cristã é porque “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento”. Eles não entendem quem Deus é, quem eles eram, o que Cristo fez, o que se tornaram e o futuro que os aguarda; e, portanto, carecem de todos os estímulos e as emoções para entregarem verdadeiramente suas vidas a Cristo.
Vivemos em uma era que diz “eu não quero nada dessa coisa de doutrina; eu só quero Jesus”, “eu não quero nada dessa coisa de teologia; eu só quero a Deus”. Bem, há um problema aí. Quando você fala que não quer teologia e só quer a Deus, você está dizendo que quer todos os benefícios de Deus, mas não quer conhecê-Lo. Quando você diz que só quer Jesus e não quer doutrina – “doutrina” vem de uma palavra hebraica que significa ensino – você está dizendo que quer os benefícios de Jesus, mas não os ensinos.
Nós não sabemos quem Deus é nas Escrituras. A doutrina de Deus é praticamente ignorada. É por isso que igrejas tentam sobreviver através do pragmatismo, de truques e tudo mais – porque não conhecem a Deus. Nós não conhecemos a Deus e não conhecemos quem éramos e, por isso, não conseguimos apreciar a salvação que nos foi dada. Nós não sabemos nada da espetacular natureza eterna de Cristo e, por isso, não podemos compreender verdadeiramente o que significa que o Filho de Deus morreu por nós. O que Ele fez no madeiro foi reduzido a “4 leis espirituais” ou “5 coisas que Deus quer que você saiba”, então não entendemos quão glorioso é o Evangelho. Assim, não conseguimos ficar animados com isso. Você vê? É tão importante entender todas essas coisas. A razão porque carecemos da motivação para seguir a Cristo com todo nosso coração é porque não sabemos quem Deus é, quem nós erámos e o que Ele fez por nós na pessoa de Jesus Cristo.


Vídeo: Trechos da mensagem Offer Your Bodies A Living Sacrifice pregada por Paul Washer. HeartCry Missionary Society INC. © Todos os direitos reservados
Tradução: Vinícius Musselman Pimentel – Editora Fiel © Todos os direitos reservados



O vídeo completo encontra-se aqui, em inglês: http://www.youtube.com/watch?v=o8pvFWf-sqg

Fonte: Editora Fiel

Banco da Fé - 16 de Agosto, por Charles Haddon Spurgeon


Desencubra e Confesse o Pecado

O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia. (Provérbios 28:13)


Aqui está o caminho da misericórdia para um culpado e arrependido pecador. Ele deve cessar o hábito de encobrir pecados. Isto é tentado pela falsidade, que nega o pecado; pela hipocrisia, que o esconde; pela vanglória, que o justifica; e por meio de uma profissão ruidosa, que o justifica.

A responsabilidade do pecador é confessar e renunciar. As duas coisas precisam andar juntas. A confissão deve ser feita honestamente ao próprio Senhor, e nisso deve estar incluído o conhecimento do erro, sentido de seu mal, e ódio ao pecado. Não devemos jogar a culpa a outros, nem culpar as circunstâncias, nem alegar fraqueza natural. Devemos confessar tudo e confessar-nos culpados da acusação. Não pode haver misericórdia até que isto seja feito.

Além disso, temos que abandonar o mal; tomado conhecimento de nossa falta, temos que repudiar todo e qualquer intento presente e futuro de persistir nela. Não podemos permanecer em rebelião e ainda assim habitar com a majestade do Rei. O hábito do mal deve ser abandonado, junto com todos os lugares, companhias, buscas e livros que podem nos levar a cair. Não pela confissão, nem pela reforma, mas em conexão com elas, encontramos o perdão pela fé no sangue de Jesus.

fonte: The Spurgeon Archives - Daily Spurgeon
tradução: Jonathan Arthur Morandi

Confiando na Graça de Deus




A ironia da teologia do sofrimento metirório é que ela tende a produzir o efeito contrário ao da intenção original. O que começa como um chamado à humilhação e sofrimento de boa vontade, se torna uma traiçoeira ferramenta de retidão-própria. Possivelmente a tarefa mais difícil para nós realizarmos é confiar na graça de Deus e na graça de Deus somente para nossa salvação. É difícil descansarmos na graça por causa do nosso orgulho. Graça é para outras pessoas - para mendigos. Nós não queremos viver segundo um sistema de felicidade celestial. Queremos conquistar nosso próprio caminho e expiar nossos próprios pecados. Gostamos de pensar que vamos ao céu porque merecemos estar lá.

Todo sofrimento que posso suportar não pode conquistar para mim um único lugar no céu. Nem posso eu merecer o mérito de Cristo através do sofrimento. Eu sou um servo completamente inútil que precisa confiar no mérito de outro alguém para ser salvo.

Com Paulo podemos nos regozijar em nossos sofrimentos se isso realçar a glória de Cristo. Podemos nos regozijar em nossas perseguições e olhar para a benção prometida, Cristo. Mas o bentido Cristo prometido, a benção de grande recompensa, é uma recompensa de graça. A benção é prometida, mesmo não sendo merecida.

Augustinho falou sobre isso: "Nossas recompensas no céu são um resultado de Deus coroando seus próprios dons. Sola gratia."

Coram Deo

Agradeça a Deus por suas recompensas celestiais, que são o resultado de Deus coroando seus próprios dons.

Passagens para Estudo Adicional:

Romanos 8:18
2ª Coríntios 4:16-18

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Banco da Fé - 15 de Agosto, por Charles Haddon Spurgeon


Uma Garantia do Nome



E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. - João 14:13

Não é todo crente que já aprendeu a orar em nome de Cristo. Pedir não somente pelo Seu amor, mas em Seu nome, como autorizado por Ele, é uma alta ordem de oração. Nós não ousaríamos pedir algumas coisas neste bendito nome, pois elas seriam uma miserável profanação deste nome; mas quando a petição é tão claramente correta que ousaríamos invocar o nome de Jesus nisto, então ela deve ser concedida.

A oração é ainda com mais certeza sucedida porque é para a glória do Pai através do Filho. Ela glorifica Sua verdade, Sua fidelidade, Seu poder, Sua graça. A concessão da oração, quando oferecida em nome de Jesus, revela o amor do Pai ao Filho, e a honra que o Pai imputou sobre o Filho. A glória de Jesus e do Pai estão tão enroladas uma com a outra que a graça que magnifíca a Um magnifíca a Outro. O canal é feito famoso pela plenitude da fonte, e a fonte é honrada através do canal pela qual ela flui. Se a resposta a nossas orações desonrassem nosso Senhor, nós não oraríamos; mas como na oração Ele é glorificado, oraremos sem cessar neste querido nome no qual Deus e Seu povo tem uma relação de deleite.

fonte: The Spurgeon Archives - Spurgeon Daily
tradução: Jonathan Arthur Morandi

Sofrimento por Retidão




Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; (Colossenses 1:24)

O ensinamento de Martinho Lutero da "justificação pela fé somente" foi um grito de guerra pela suficiência do mérito de Cristo e pela graciosidade da redenção. Seu slogan sola fide ("pela fé somente") foi meramente uma extensão de um antigo credo de Agostinho, sola gratia ("pela graça somente").

O que resta das aflições de Cristo não é mérito. Ninguem pode retirar ou adicionar algo ao mérito de Cristo. Seu mérito não sofre processo de diminuição nem aumento. Nossas melhores obras são sempre manchadas pela nossa pecaminosidade. Somos devedores que não podemos pagar por nossos débitos, muito menos acumular um superávit de mérito. Interpretar Colossenses 1:24 da maneira que eu mencionei na leitura anterior é lançar uma sombra grotesca sobre a absoluta perfeição e plenitude do sofrimento metirório de Cristo.

O que então Paulo quer dizer por preencher o que resta? Se o que falta não é o mérito, o que é? Paulo repetidamente salienta a ideia de que a igreja, o corpo de Cristo, é chamada a uma participação na humilhação e sofrimento de Jesus. Para Paulo, é uma singular honra ser perseguido pela causa da retidão. Mas uma coisa é sofrer pela causa da retidão; outra bem diferente é sofrer pela causa do mérito.

Coram Deo

Se você está sofrendo, reflita nestas questões: é por causa de suas próprias decisões ruins? É por causa de suas circunstâncias? Você está sofrendo pela causa da retidão ou é seu sofrimento auto-infligido?

Passagens para Estudo Adicional:

1ª Pedro 4:13
Filipenses 3:10
Hebreus 13:12

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pregar


Pregar,
é amar.

Pregar,
é a verdade proclamar.

Pregar,
é a vida falar.

Pregar,
não é cantar.

Pregação emergente
pregação urgente.

Paixão de vida,
púlpito ensanguentado.

Paixão de ida e vinda,
paixão apaixonante.

Pregar,
não é um ministério.

Pregar,
uma vida.

Pregação eloquente,
que vá para o inferno.

Pregação sábia,
que corra para o abismo.

Pregação humana,
tudo isto, pelas vaidades.

Pregar é amar,
é viver uma vida.

Pregar,
já decretada.

Pregar,
uma bandeira de sangue.

Pregar,
a ira aterrorizante.

Pregar,
o amor não distante.

Pregar,
o terror da soberania.

Vá, pregue!
Vá, pregue e morra!


Humildemente venho apresentar-lhes uma poesia de minha autoria.
Se alguém se interessar, segue o link com meu perfil no site 'Recanto das Letras'.
http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=108429

Evitando uma Falsa Teologia de Sofrimento




O tempo de Martinho Lutero no monastério foi um tempo de desespero espiritual. Ele era atormentado por uma desamparada culpa, junto de um grande medo da ira de Deus. Por que um homem educado deveria refugiar-se em uma árida cela e abusar-se com auto-infligida punição física (auto-flagelação)? Por que um crente deveria procurar sofrimento pessoal?

A resposta pode ser encontrada parcialmente, não totalmente, em um conceito que emergiu na história da igreja que igualou sofrimento e mérito. Monges refugiavam-se no deserto para buscar formas rigorosas de asceticismo¹ e negação-própria, não apenas como uma forma de disciplina espiritual buscando a manutenção da dependência da graça de Deus, mas também em busca de mérito santificador.

Um texto bíblico que foi usado como autoridade espiritual para tal atividade é Colossensses 1:24. Paulo escreve, "Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja". As palavras-chave deste versículo são "e preencho o que resta das aflições de Cristo."

Uma falsa teologia de sofrimento emergida que foi construída na hipótese de que o sofrimento de Jesus, ainda que seja necessário para a redenção do povo de Deus, não é completo - há mérito extra que pode ser adicionado a isso pelo sofrimento dos santos.

Coram Deo

Reflita nesta verdade: o sofrimento de Cristo não pode ser aumentado por seu mérito. Ele é completo.

Passagens para estudo adicional:

Colossensses 1:24
1ª Pedro 2:21
1ª Pedro 3:15

¹ O ascetismo ou asceticismo é uma filosofia de vida na qual são refreados os prazeres mundanos. Muitos ascéticos acreditam que a purificação do corpo ajuda a purificação da alma, e de fato à obter a compreensão de uma divindade ou encontrar a paz interior. [N.T.]

Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cristo, o bom Pastor


Pastor de Ovelhas

Significado de Pastor – Guardador de rebanho



Primeiramente, o que, ou quem, é um pastor de ovelhas?  O pastor de ovelhas é aquele que cuida, abriga, pastoreia e acompanha as suas ovelhas no decorrer da vida de ambos. Ele conduz e guia seu amado rebanho. Na época de Jesus, o pastor palestino era conhecido pela proteção que dava a suas ovelhas. Ao contrário dos pastores que não amavam suas ovelhas, sempre andava à frente do rebanho. Ele o conduzia. Conhecia suas ovelhas uma por uma, e geralmente dava-lhes um nome. As ovelhas conheciam sua voz e confiavam nele, não seguindo um estranho. Assim, quando chamadas, as ovelhas vinham correndo.
O verdadeiro pastor, cuida de suas ovelhas, as alimenta, as guia pelos campos, principalmente em troca de estações e regiões. Protege a vida de seu rebanho com a sua própria, e dá segurança constante contra animais selvagens e salteadores. Muitos dos pastores possui como companheiro e ajudante um cão pastor, adestrado para a ajuda no pastoreio. São cachorros extremamente leais e obedientes.

A vida de um pastor de ovelhas podia ser muito solitária, como vemos o caso de Davi enquanto ainda pastor. Alguns provavelmente moravam perto ou no próprio campo em que o rebanho ficava, sozinhos ou até com família. 
Também havia alguns tipos de abrigo, e creio que estes eram separadas de suas residências propriamente estruturadas. O abrigo do pastor poderia ser feito por diversos materiais, como xisto, granito, madeira etc. Serviam para resguardá-los de intempéries, e muitos tinham a função de abrigar o próprio rebanho. Em alguns locais específicos há moradias típicas do local, como em Portugal, construía-se o chamado cortelho. Também havia as brandas – núcleos habitacionais temporários de verão, que serviam para uma moradia temporária na troca de estação, em locais com pasto abundante para o rebanho.
Alguns optavam por pequenas carroças como moradia, e também como locomoção, pois eram puxadas por vacas ou cavalos.

À noite, os pastores levavam as ovelhas para um curral chamado de aprisco, cercado de muros altos encimados por espinheiros para impedir a entrada de animais selvagens e ladrões.
Mesmo assim, às vezes, um animal selvagem, impelido pela fome, pulava o muro e assustava as ovelhas. Nesse caso distinguia-se o verdadeiro pastor, aquele que amava suas ovelhas do assalariado que só trabalha por dinheiro.
O verdadeiro pastor era capaz de dar a vida pelas ovelhas. Metia-se entre elas e lutava para defendê-las. O assalariado, pelo contrário, pensava mais em sua segurança que na das ovelhas e geralmente fugia do perigo.

Um exemplo de um bom Pastor para nós, humanos pecadores, com certeza é Davi. Ele protegia suas ovelhas com sua própria vida (1Sm 17:34-36), e mesmo precisando ir a outros afazeres, ele preocupou-se com seu rebanho no meio da noite (1Sm 17:20).

Entretanto, o intuito deste post não é apenas explicar sobre o Pastor de ovelhas, nem de colocar exemplos de bons Pastores que temos nos dias de hoje, e muito menos de começar a criticar os falsos pastores, que vem como lobos com pele de cordeiro.
O que eu quero mostrar-lhes, com alusões entre o pastor de ovelhas e Cristo, é o atributo que, creio eu, seja o mais carinhoso dado a Ele. O de ser nosso Pastor, e como Ele mesmo intitula-se, o bom Pastor, pois dá a vida por suas ovelhas.
Uma das melhores passagens a demonstrar isto, está em João 10:11-16, onde Ele fala:

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.
Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.
Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.
Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. 

Imaginemo-nos como ovelhas de Cristo agora. Acordamos, e sua inabalável segurança já estava conosco, e com todo o rebanho. Enquanto pastávamos, Ele nos observava cuidadosamente. Quando temos sede, leva-nos a águas tranqüilas. Leva-nos a pastos verdejantes, guia-nos por todos os campos. Seu cajado nos consola constantemente, e com sua voz incomparável nos chama pelo nome, e por Sua misericórdia, nós a conhecemos. Ele tem em Sua mão um cajado aterrorizante e cheio de poder, mas para com Seu rebanho, Ele usa para guiar e de consolo. À noite coloca-nos no aprisco, e Ele é a própria porta. Ele nos defende do animal faminto e do ladrão, e deu Sua própria vida pelo rebanho.
Quando uma fugiu para o deserto, e caiu em uma vala suja e nojenta, Ele foi lá e a resgatou com o maior apreço.Ele cuida igualmente de todas, das teimosas, das sujas, das quietas, das barulhentas, desajeitas, de todas.
Ele como pastor cuida de nós, e não deixa acontecer nada de mal.
Ele é o bom Pastor.
Ele deu Sua própria vida por ovelhas ingratas e miseráveis, que nem O conheciam.
Ele é o bom Pastor.

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias. 
Salmos 23:1-6

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O único Deus verdadeiro - Paul Washer

http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/04/paul-washer-o-unico-deus-verdadeiro-ebook/



O único Deus verdadeiro é uma apostila do conhecido (por alguns) pregador, Paul Washer. Ela aborda todas as doutrinas em relação a que existe apenas UM Deus, e este é o Deus SENHOR dos exércitos. Esta apostila o obrigará a ler muito da bíblia se você quiser fazê-la corretamente. Tudo escrito possui embasamento bíblico, e quem responde as perguntas é você, com a bíblia ao lado. É um material de perguntas e respostas, que exige tempo, concentração, leitura da palavra concernente ao pedido, e dedicação. Faça com sua companheira, amigos, igreja, família, ou sozinho. Ou como ele recomenda no prefácio, combine com alguém de ambos fazerem primeiramente sozinhos, e depois irem lendo e comparando as respostas, assim aprendendo um com o outro. Que o Espírito de Deus guie a quem for fazer, e revele-se em Sua santa palavra. Faça, aprofunde-se, e conheça mais de Deus através das Escrituras.


Para uma pequena demonstração do conteúdo, lhes deixo o sumário:

Sumário


  • Deus é Um
  • Deus é Espírito
  • Deus é Grandioso e Perfeito
  • Deus é Eterno, Auto-Existente e Imutável
  • Deus é Onipotente, Onipresente e Onisciente
  • Deus é Santo
  • Deus é Justo
  • Deus é a Verdade e Verdadeiro
  • Deus é Fiel
  • Deus é Amor
  • Deus é Criador e Sustentador
  • Deus é Senhor sobre Tudo
  • Deus é Legislador e Juiz
  • Os Nomes de Deus


Recomendações
“O guia de estudo de Paul David Washer sobre a doutrina de Deus, o Único Deus Verdadeiro, é o melhor trabalho introdutório por mim conhecido. Estabelece grandes verdades de forma clara e equilibrada. Autoridades humanas não são citados, mas é evidente que o autor está familiarizado com o literatura do cristianismo histórico e, portanto, ele se desvia das armadilhas em que os outros pode cair. Jovens cristãos dificilmente poderiam gastar melhor o seu tempo do que trabalhando cuidadosamente por estas páginas.”
- Iain H. Murray, Co-Fundador e Diretor Editorial da Banner of Truth Trust
“O Único Deus Verdadeiro irá levá-lo através de um proveitoso exercício em teologia bíblica e sistemática. Você aprenderá o que a Bíblia diz sobre o caráter e os atributos do Deus, o qual é realmente como nenhum outro. Este é um trabalho maravilhoso que – eu oro – ajudará muitos a crescer no conhecimento de Deus. Leia e seja abençoado. Leia e adore o seu Deus.”
- Daniel L. Akin, Presidente do Seminário Teológico Southeastern Baptist
“Quando meu filho colocou seu primeiro par de óculos, ele ficou chocado ao encontrar um mundo de coisas belas para ver lá fora. Ele não conseguia manter a boca fechada sobre o assunto. Este olhar guiado a respeito da revelação do próprio Deus será da mesma forma para muitos cristãos míopes. O estudo da autobiografia de Deus não só corrigirá a nossa miopia, mas abrirá nossas bocas! Como um hábil oftalmologista, usarei e recomendarei freqüentemente o Único Deus Verdadeiro.”
- Jim Elliff, Christian Communicators Worldwide www.ccwtoday.org
“Em O Único Deus Verdadeiro, Paul Washer forneceu um estudo teológico sólido, bíblico e substantivo para aqueles de nós que tem ansiado por mais. Quem estiver interessado em reforçar sua compreensão da Doutrina de Deus achará este estudo imensamente valioso. Além disso, como o Único Deus Verdadeiro é expositivo por natureza, ele também pode servir como um instrumento de ensino para dar aos novos cristãos uma base sólida, ou para ajudar na evangelização de incrédulos”.
- Voddie Bauchum Jr., Pastor, autor de Family Driven Faith

Dez acusações contra a igreja moderna - Paul Washer



Pregado quarta-feira, 22 de Outubro de 2008, na Conferência sobre Avivamento, em Atlanta, Geórgia. Paul Washer dá um apelo urgente para os cristãos e as igrejas na América do Norte, onde muitos têm crido em um falso evangelho e em uma falsa garantia de sua salvação. Ele enumera 10 acusações contra o moderno sistema de igreja na América. Esta é uma mensagem histórica urgente, informe outras pessoas e espalhe a mensagem. Precisamos de uma reforma e um avivamento nos padrões bíblicos!
Greg Gordon (Organizador da Conferência sobre Avivamento)

Há também o arquivo em PDF: 

Recomendo a todos, tanto que assistam o vídeo, quanto baixem e leiam o livro. São acusações muito pertinentes, ditas por um homem mui usado por Deus, e que teve uma porção abundante de misericórdia e graça derramadas sobre si. Que Deus tenha piedade de todos nós pois estas acusações, pelo menos digo por mim, fazem referência a minha pessoa também. 



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Conhecendo o verdadeiro caráter de Deus.


Que em nome de Cristo Jesus Pai, se for da tua boa vontade, por favor, abra os olhos do nosso coração e da nossa mente, para vermos a beleza do Teu filho. Tira toda ingratidão de nossos corações perante a Cruz, mas que tudo, seja feito conforme tua Soberana vontade, e para tua glória, e tua honra. Desampara-nos se assim for do Teu agrado. Mas como servo inútil que sou, peço por favor, tenha misericórdia de nós. Pois a Tua misericórdia é nossa única esperança. Amém.


Conhecê-LO.

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas,
Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. 
(Jeremias 9:23-24) – (ACRF)*

O conhecermos. Essa é a grande questão, O conhecermos. Porém, devemos conhecê-LO como ELE realmente é, e não, em nossas imaginações, pensando como Ele deve ser. E é para isso que temos as Sagradas Escrituras, inspiradas pelo Espírito Santo, pois é Ele quem conhece as profundidades do Pai.

Conhecê-LO é o maior privilégio que qualquer homem pode obter, neste, ou em qualquer mundo e existência. Conhecê-LO muda tudo, toda nossa visão, motivações, muda nossa vida por inteiro. Porém, como eu já disse antes, conhecê-LO como ELE realmente é!
Para vermos como isso é vital, conhecê-LO é o propósito da vida eterna, eternamente, estaremos O conhecendo face a face.

Muitos se perguntam como mártires podiam morrer louvando a Deus, como Paulo poderia falar para alegrarmo-nos sempre no Senhor, em qualquer circunstância da vida, como?
E a resposta é simples e rápida: O conhecendo. Quando realmente O vemos, como ELE realmente é, nada continua do mesmo jeito! Quando vemos a verdade absoluta – Cristo é a própria verdade – nossos corações mudam completamente, e você irá exclamar como Isaías, Ai de mim!

Primeiramente, tudo que você vive, tudo que as pessoas vivem, tudo que acontece, está relacionado ao caráter verdadeiro de Deus. Um caráter Santo, Justo, Amoroso, e acima de tudo, um caráter Soberano. Você irá degustar da misericórdia e Soberania dEle quando você ver a verdade. E onde está a verdade? Em seu perfeito caráter, lá está toda e qualquer verdade veraz.

Você apenas veio a conhecê-LO pela Sua infinita misericórdia, pois foi Ele quem o trouxe a Ele. (João 6:44)
E você apenas verá o tamanho crucial de tal misericórdia, quando você conhecê-LO verdadeiramente, quem Ele realmente é, para ter tido misericórdia de você, pobre pecador, e para ver a sua pequenez, você terá de ver quem realmente você é. Vejamos, tudo é uma questão de conhecimento. Nós perecemos por falta de conhecimento, como está escrito. Seu próprio povo, perece, por falta de conhecimento. Conhecimento este, do único e verdadeiro Deus.

Agora, atentemo-nos em uma exposição mais concentrada no versículo em si de Jeremias.
Se analisarmos, Jeremias estava falando tudo aquilo para uma nação idólatra, um povo a beira da condenação, sem esperança.
Ele proferiu aquelas palavras para um povo cego, de dura cerviz, e Deus estava falando: Nada que vocês têm, nenhuma riqueza, sabedoria humana (pois a verdadeira sabedoria é temê-LO, e isso é proveniente de conhecê-LO) nenhuma força, nada vale, comparado a conhecê-LO.

E como Deus se revela nessa parte das Escrituras?
É assim que O conhecemos, vendo como Ele mesmo se revela em Suas Palavras.
Ele mostra como Ele mesmo procede e age em relação a tudo, e no que e como Ele se agrada do que faz (vs 24).
Como Ele mesmo fala, eu sou o SENHOR, absoluto, Soberano, que tem absolutamente tudo sob controle na palma de Suas mãos. Nós O conhecemos como SENHOR de tudo? Não digo agora apenas de todas as áreas de nosso coração, e sim de toda existência, parecendo ou não, Ele continua sendo o SENHOR de toda existência. Um Deus Soberano sobre absolutamente tudo, e que nada sai fora de Seu controle.

Ele faz beneficência sobre toda terra. Ele é misericordioso. E como conhecemos isso, ou lidamos com? Somos provas vivas dessa misericórdia. Seríamos contradições ambulantes se não percebêssemos a misericórdia em nós, mesmo estudando-a. Não apenas a lemos, ou a estudamos. Nós a vivemos, e passamos a conhecê-la, dia após dia.
Tudo, absolutamente tudo, que vem do Senhor até nós, é a mais infinita misericórdia, pois conhecendo como Ele é, quem somos nós, vermes minúsculos, para que Ele sequer ouça-nos?

Mas Ele também faz justiça e juízo sobre a terra. Muitos, por não conhecerem a Deus como Ele é, espantam-se e negam o fato de Deus condenar as pessoas para maldição eterna. Colocam em Deus um amor que não existe, um amor carnal, aquele amor injusto, que mesmo a pessoa morrendo em delitos, irá desfrutar dos prazeres eternos no próprio Deus.

Atentemo-nos, nós não temos um ‘deus banana’. Nosso Deus é Soberano, e como está escrito, Ele se agrada nisto que faz. Ele se agrada em Sua justiça e juízo, Ele não faz nada imperfeito, mesmo que nós muitas das vezes não vejamos justiça, juízo ou bondade em suas obras, elas continuam sendo perfeitas, e todas com o mesmo propósito, Sua própria glória, e o bem daqueles que correm segundo Seu propósito. Tudo está conforme Seu eterno desígnio, desde antes da fundação do mundo.

Como Calvino diria, Conhecendo a Deus conhecemos a nós mesmos, e vice versa.

Primeiro, conheça o Pai, o Deus do terror sem Cristo.
Depois, conheço a si mesmo, o ser mais miserável de toda existência.
Logo após, corra para Cristo, sua única, e totalmente suficiente, esperança.
Depois veja quem fez toda obra no seu coração, e lhe mostrou todas estas coisas, o Espírito Santo.

Por você conhecê-LO como Soberano, você sabe que foi Ele quem te escolheu, sem mérito algum seu.

O Deus todo poderoso, Soberano e absoluto, sem Cristo, é a pior coisa em toda existência. Se você conhecer a si mesmo, você verá o quanto você merece a ira e o julgamento eterno sobre sua própria cabeça, e sabe que nada consegue fazer para mudar isso. Mas então, Deus nos revela Seu filho.. mas como um sacrifício poderia satisfazer toda ira e justiça, de um Deus eternamente santo, contra um pecador eternamente miserável? Apenas um sacrifício cujo qual o próprio Deus morre, no lugar de nós, pecadores miseráveis. 

E tudo, absolutamente tudo revelado a nós, toda nossa salvação, mudanças, são trazidas pelo Espírito Santo de Deus, com Sua perfeita e irresistível regeneração em nossos corações.
Se o Espírito não nos revelar, não saberemos. Se Ele não nos mostrar, não veremos. Se Ele não nos ensinar, não aprenderemos, o mérito é completa e totalmente DELE, apenas pela misericórdia DELE que estamos aqui, é a nossa vida, o nosso viver!

Na medida que vamos conhecendo a Deus, vemos que conhecê-LO é o motivo de toda e qualquer  glória, felicidade e contentamento.
Conhecê-LO é melhor do que ter uma família, uma esposa, melhor do que sexo, melhor do que tudo. Conhecê-LO completamente, em sua perfeita Trindade.

Muitos de nós falamos ‘Deus é bom!’ quando nos dá algo material, ou até espiritual. Conhecê-LO é nosso maior privilégio, é nossa porção, é nossa benção, nossa vida!
Vejamos bem, mesmo que Deus me dissesse apenas ‘não’ para todas as áreas materiais da minha vida, mesmo que Ele tirasse tudo que eu tenho nesta vida, sendo esposa, filhos, dinheiro, casa, saúde, e me desamparasse em todas as áreas da minha vida, eu continuaria sendo o tipo de ser mais privilegiado existente, se com tudo isso, ELE me levasse a conhecê-LO. Conhecê-LO é melhor do que a vida. O conhecemos pela graça e misericórdia, Seu filho é a própria graça e misericórdia, e conhecê-LO é melhor do que a vida. (Hc 3:17-19; Sl 63:3)
Vejamos o quanto somos ingratos. Somos fracos? Sim! Mas isso não diminui nossa ingratidão.
Tudo que eu falei até aqui, vocês irão entender com profundidade esta frase:
O Deus de terror, deu por vontade própria e gratuitamente, Seu único Filho, que é o próprio Deus, para morrer por NÓS!
Entendem? Não entendem? Que o Espírito Santo, se for de Sua boa vontade, faça-nos entender perfeitamente isto, pois disto depende nossas vidas, e é nossa única esperança.. e há esperança suficiente.
Tudo é permissão DELE, não se esqueçam.
Que Ele tenha piedade de todos nós. Amém.

*Versões bíblicas usadas:
Almeida Corrigida e Revisada Fiel como base;
Almeida Thompson Edição Contemporânea e Almeida Revista e Corrigida para comparações.

TULIP Não Significa Reformado - Bojidar Marinov

 Há quatro anos, Cristianismo Hoje publicou um artigo, “Jovem, Incansável, Reformado”. Neste artigo, o autor Collin Hansen analisou um fenômeno que existe há uma década: o retorno de muitos jovens cristãos as doutrinas reformadas. Ele entrevistou alguns pastores e jovens membros de igrejas que saíram de movimentos carismáticos e “igrejas sensíveis ao público” que agora adotam as doutrinas do Calvinismo.

Na opinião de Hansen, esse retorno é menos divulgado, mas é muito maior e persuasivo do que a “igreja emergente” ou a “igreja sensível ao público”. Ele acredita que o retorno do “Calvinismo” está “balançando a Igreja”. Ele chamou atenção para a popularidade de velhos autores Puritanos entre os “novos Reformados”, especialmente entre os jovens. O velho puritanismo dos séculos 17 e 18 pareciam ser o combustível ideológico por trás do retorno Calvinista.

 

 Muitas das obras Puritanas estavam sendo relançadas por causa do interesse renovado. Um professor em Gordon-Conwell chegou a dizer que ele suspeitava que “jovens evangélicos são atraídos aos Puritanos em busca de raízes históricas mais profundas e modelos para um Cristianismo dedicado”.



Isso foi muito encorajador. Tudo de bom que o Ocidente tem hoje – os conceitos de liberdade, estado de direito, ética de trabalho superior, organizações caridosas, espírito empreendedor, poupança e investimento em longo prazo, etc. – é devido a teologia Reformada e aqueles que a aplicaram na prática. Quando a hora chegou da liberdade ser defendida por todo mundo Ocidental, e especialmente na América, foram pregadores Reformados e Puritanos que encorajaram populações a defender suas liberdades sob Deus, e foram leigos Reformados e Puritanos que lideram as estações de batalha contra a opressão.




E foram líderes Reformados e Puritanos que trabalharam para construir o Ocidente como uma sociedade justa e próspera, e para espalhar as ideias de liberdade ao resto do mundo; os outros só seguiram o exemplo. Então, se Collins estava correto em sua análise sobre o retorno do Calvinismo, então teríamos de volta a solução historicamente comprovada para a decadência da América no socialismo, paganismo, turbulência política e recessão econômica.

 

Mas seja qual fosse a esperança que alguém poderia extrair do que Hansen viu como o retorno do Calvinismo, estaria completamente extinguida em nossa experiência dos últimos dois anos. Em uma época em que nossa sociedade está lutando para preservar aquilo que a América já representou – tudo o que os Puritanos nos entregaram no decorrer das gerações – estes “novos Reformados” de Hansen falharam em materializar quando a influencia foi mais necessária. Desde 2008, em nossa intensa guerra cultural contra aqueles que querem subverter a América, as igrejas chamadas de “Reformadas” por Hansen não são de qualquer maneira visíveis. Seja qual for o “combustível” que pegaram emprestado dos Puritanos, não foi capaz de produzir os pregadores reformados responsáveis pela Primeira Revolução Americana.


 

Não vemos esses novos reformadores assumindo a liderança em uma Segunda Revolução Americana. Se a Primeira Revolução foi chamada pelo Rei George de “Revolução Presbiteriana”, não há qualquer motivo para Obama, Nancy Pelosi ou qualquer outro aspirante a tirano esquerdista falar da “Insurreição Reformada” ou da “Tea Party Calvinista”. Longe de serem os herdeiros espirituais ou ideológicos dos Puritanos, os pastores mencionados no artigo de Hansen são muito cuidadosos em nunca mencionar nada de relevante nas batalhas culturais de nosso tempo.
 

Por quê? Por que um movimento tão grande e persuasivo de retorno as nossas raízes Reformadas não consegue produzir uma resposta apropriadamente Reformada? Uma mente Puritana não deveria produzir uma prática Puritana, individualmente e socialmente? Se os antigos Puritanos nos deram a América, os Puritanos modernos não deveriam restaurar a América ao que ela deveria ser? Como conciliar essa contradição?



A resposta é o seguinte: Não há contradição. Hansen está errado. O que ele acredita ser um “retorno ao Calvinismo” não é. O que ele vê como pastores e crentes “Reformados” não são. A definição que Hansen dá de “Reformado” é truncada. O motivo pelo qual não vemos uma resposta Puritana é porque não há influencia teológica Puritana nas igrejas que ele entrevistou. Ele somente vê a superfície. A essência não é Reformada.

Na procura por igrejas “Reformadas”, Hansen usa a TULIP – o acrônimo dos cinco pontos para Calvinismo – como sua régua de medição. Se uma Igreja acredita na TULIP (Total Depravação, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível, Perseverança dos Santos), se ensina isso, se isso se tornou o ponto central de sua doutrina, então Hansen acredita que é “Reformada”.


TULIP é mencionado, direta ou indiretamente, mais de 20 vezes no artigo. É a inspiração de alguns dos convertidos ao Calvinismo que foram entrevistados em seu artigo. Algumas das igrejas “Reformadas” importantes têm cursos e instruções especiais sobre a TULIP. Outros estão nos púlpitos ousadamente pregando sobre. TULIP é o principio e fim do que Hansen define como “Calvinismo”. Ele acredita que se uma igreja é focada na TULIP, é Reformada.



A verdade que Hansen não percebeu é que TULIP não é a essência da teologia Reformada. É claro, as doutrinas da Total Depravação, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos são um passo inicial importante em direção ao imenso corpo de verdades teológicas chamadas de “teologia Reformada”. É um resultado direto do conceito maior da Soberania de Deus. É uma descrição correta do estado caído do homem e da obra de Deus na salvação do indivíduo. Quando olhamos para o alto e agradecemos a Deus pelo que ele fez pessoalmente por nós, pensamos “TULIP”, mesmo que não conhecêssemos ou compreendêssemos o termo.



Em resumo, TULIP é o acrônimo para o “mecanismo” de nossa salvação pessoal. E só isso. Nada além de nossa salvação pessoal. Mas a teologia Reformada inclui imensuravelmente mais que simplesmente nossa salvação pessoal. E quanto uma Igreja faz da TULIP a soma de toda sua teologia, essa Igreja não é Reformada. Sim, ela deu o primeiro passo nessa direção, mas ainda está longe do objetivo.



Os Puritanos que os “novos Reformados” dizem gostar e seguir ficariam profundamente surpresos se alguém colocasse toda a Soberania de Deus na salvação individual das almas. Isso pareceria realmente egoísta para eles – ficaria parecendo que a Soberania de Deus foi feita para servir as necessidades do homem, em fez da salvação do homem servir aos planos de Deus. A salvação de indivíduos nunca ocupou um status tão alto no pensamento dos Puritanos e sim o Reino de Deus e sua justiça.



Os Puritanos entendiam que os planos de Deus eram uma prioridade acima da salvação de indivíduos; o Faraó e seu coração endurecido era um tópico de sermão favorito para muitos pregadores Puritanos. Eles não vinham a soberania de Deus somente na salvação, mas também na condenação e em muitas outras coisas. O evangelismo realmente chamava para o arrependimento individual e para andar em justiça, mas eles compreendiam que pregar a salvação era somente o leite (Hb 6.1-2). Havia mais áreas do conhecimento e práticas que são alimentos mais sólidos e que merecem mais atenção.



O artigo de Hansen mencionou aqueles dentre os jovens “novos Reformados” que saíram das “igrejas sensíveis ao público” e se tornaram Reformadas. Mas o que mudou para essas pessoas? Sim, a justificação teológica para a fé mudou, sem dúvidas. Não acreditam mais que conquistam a própria salvação. Mas as prioridades e motivações mudaram? De jeito nenhum. Tanto em um ambiente “sensíveis ao público” quanto “novo Reformado”, o foco é no EU e no MEU, o que Deus fez por MINHA salvação. O principio e o fim é a salvação pessoal e só isso.


Em um sentido muito verdadeiro, os “novos Reformados” são simplesmente uma versão teologicamente correta do movimento “sensível ao público”: o egoísmo da busca continua lá, exceto que agora tem uma teologia melhor. Essa ênfase em si mesmo, nas MINHAS necessidades, pareceria uma reinterpretação grosseira da Soberania de Deus para os antigos Puritanos. Dificilmente eles reconheceriam a si mesmos ou suas ideias no movimento “novo Reformado”. Não é o legado deles e a obsessão com batalha espiritual pessoal não fazia parte de suas mentes ou cultura.



Qual foi o legado deixado pelos Reformadores para futuras gerações?


Não foram igrejas cheias de crentes que ansiosamente estudam teologia somente para regozijar-se com sua salvação pessoal. Alias, com duas exceções – Escócia e Hungria – os primeiros Reformadores não nos deixaram igrejas permanentes. Não foram sermões intelectualizados de linguagem psicologicamente elaborada que analisam cada sentimento e emoção que um crente possa ter.



Não foram sermões corajosos sobre tópicos irrelevantes, de importância periférica para nossa era e cultura. E, sem dúvidas, não foi uma crença em um Deus que somente é soberano para salvar indivíduos e nada mais.

O legado mais duradouro foi sobre o cultivo de sociedades, cujas culturas se baseavam na aplicação prática da teologia Reformada, de cima a baixo. Genebra, Estrasburgo, Holanda, Inglaterra, Escócia, Hungria, as comunidades huguenotes na França e posteriormente na Carolina do Norte e do Sul, Oranje-Vrystaat e Transval. Sociedades que se tornaram luz para o mundo, uma encarnação da liberdade e justiça de Cristo para todos. Os crentes Reformados de séculos anteriores construíram uma civilização que influenciou o mundo permanentemente. Eles mudaram o mundo, não pelo egoísmo de enfatizar a própria salvação, mas pela obediência em ensinar as nações e construir o Reino de Deus.


Foram cidades edificadas sobre o monte que nos deixou um legado, e o lema “Cidade Sobre o Monte” é o que melhor descreve a teologia Reformada hoje, não TULIP. Sejam Calvinistas ou Arminianos, Cristãos e Não-Cristãos, todo mundo na América hoje – e não somente na América – é uma testemunha do sucesso de construir aquela “Cidade Sobre o Monte”. Os Puritanos de quem Hansen falou não chegaram nesse litoral para encontrar a perfeita teologia TULIP. De fato, eles criam na soberania de Deus sobre a salvação, mas eles criam em muito mais do que isso. Eles sabiam que eram predestinados por Deus para serem os vasos escolhidos para manifestar a Soberania de Deus sobre culturas e sociedades de homens ao construir uma nova civilização. “Os reinos deste mundo vieram a ser o Reino de nosso Deus” tinha um significado muito específico para os Puritanos, e essa visão era o que caracterizava a visão deles de Soberania.



Com uma visão de Cidade Sobre o Monte, os Puritanos estavam muito mais preocupados com questões legais e culturais da sociedade do que com questões psicológicas e filosóficas da existência humana, como é o caso dos “novos Reformados”. Justiça e retidão era a prioridade acima de espiritualização excessiva e experiências místicas. Desenvolveram códigos legais, teorias e praticas econômicas, organização social, educação e ciência.



Eles não se preocupavam com os pequenos e irrelevantes detalhes da vida espiritual do Cristão. Eles viam valor em encarnar as verdades de Deus na cultura, não em teologia do interior. A visão que tinham do mundo era de uma unidade, segundo a Lei de Deus, espiritual ou material, igreja, família, estado, mente, matéria, lei e graça. Eles não seriam capazes de compreender o dualismo das igrejas dos “novos Reformados”. “Pacto”, para eles, não era um termo religioso. Era o componente essencial de todas as relações, espirituais ou temporais, e todos os pactos – na esfera civil, no comercio, igreja, família, escola – deveria imitar o pacto supremo entre Deus e a humanidade em Jesus Cristo.



É por isso que quando John Whitherspoon declarou que a liberdade de cultuar e a liberdade econômica e política eram coisas inseparáveis, ele não estava declarando uma nova doutrina. Ele estava proclamando o que aprendeu com seus antepassados espirituais, com Agostinho, Calvino, Mather e Edwards. E quando os discípulos de Whitherspoon se juntaram para se tornar os Pais Fundadores dos Estados Unidos da América, isso foi um ato verdadeiramente Reformado, uma consequência lógica das doutrinas da Reforma.



Aqueles que querem ser Reformados hoje, não podem ficar limitados ao pensamento confortável de que Deus lhes deu a salvação pessoal. Reformado significa a Soberania de Deus sobre tudo – tudo na vida, pensamento e ação do homem, incluindo a sociedade e cultura do homem. Portanto, os “novos Reformados” de Hansen não são Reformados. É somente uma versão teologicamente de uma religião centrada no homem.



Da próxima vez que Cristianismo Hoje quiser encontrar o retorno do Calvinismo, a frase chave não é TULIP. O retorno do Calvinismo será conhecido pelo seguinte: “Cidade Sobre o Monte”, “Visão de Mundo Abrangente”, “Ensinar as Nações”, “Os Direitos Régios de Jesus Cristo Sobre Todas as Áreas da Vida”, “Cristandade”, “Domínio sob o Pacto de Deus”. O artigo deve se chamar: “Os Reformados, Historicamente Otimistas, Voltados para o Domínio”. Qualquer outra coisa será somente uma imitação vazia do legado dos Puritanos, não verdadeiramente Reformado.



Tradução: Frank Brito
Fonte: www.americanvision.org