quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Igreja na Reforma e a Reforma


Introdução
Durante muito, os primeiros cristão foram perseguidos e até mortos por causa de Cristo. A situação mudou quando o imperador romano Constantino, 313 d.C., institui uma série de benefícios ao Cristianismo, tais como: isenção de impostos, terras, pagamento dos bispos e ajuda na construção de templos. Poder e dinheiro passaram a influenciar a vida da Igreja, que, em 392 d.C., se fundiu com o Estado, tornando-se a mesma coisa.
Com isso, muitos passaram a fazer parte da “nova religião”, não por convicção e fé, mas por favores e benefícios. Aquela vida comunitária, aquele amor cristão, o partir o pão de casa em casa e o socorrer aos necessitados viraram práticas do passado. O Cristianismo começou a decair moralmente, e seus fiéis não corresponderem à Palavra e à vontade de Deus.
Na Idade Média, quem mandava na Igreja era o Papa. Naquela época, ele tinha plenos poderes para instituir e derrubar reis e reinos: A igreja passou de perseguida a perseguidora, e muitos sofreram nas mãos dessa “Igreja Cristã”. Foi criado o “clero”, que era uma liderança muito mais política que espiritual, e mantinha uma distância enorme do povo. O clero não parecia de forma alguma com o grupo dos apóstolos, que viviam em meio ao povo.
Veja alguns erros que a Igreja neste período:
380 d.C. – Oração pelos mortos
535 d.C. – Instituição das procissões
538 d.C. – Celebração da missa de costa para o povo
757 d.C. – Adoração de imagens
884 d.C. – Canonização de santos
885 d.C. – Adoração da “Virgem Maria”
1022 d.C. – Legalização da penitência por dinheiro
1059 d.C. – Aceitação da transubstanciação dos elementos da Ceia (acreditar que o pão e o vinho se transformam verdadeiramente no corpo e sangue de Cristo, de forma tal, que embora pareça pão e vinho, o que você esta comendo e bebendo é o próprio e real corpo e sangue de Jesus).
1215 d.C. – Adoção da confissão auricular
1470 d.C. – Invenção do rosário
Diante de tantas coisas erradas e corrompidas uma Reforma era urgente.
Quando falamos em reforma logo pensamos em algo que será melhorado. Você não começaria uma reforma em sua casa para que ela ficasse em um estado pior. Foi isso o que aconteceu com a Igreja no período da Reforma Protestante – buscou-se consertar o que estava errado, voltar à Palavra de Deus. A igreja precisava ser restaurada no reto caminho e abandonar os desvios que havia tomado.
Veremos um pouco do que aconteceu naquele período e, principalmente, os importantes ensinos bíblicos resgatados pelos reformadores.
1 –Reforma na Igreja
É preciso entender a Reforma Protestante, não como alguns sugerem, apenas um ato político, em que príncipes e nobres puderam rebelar-se contra o poder dominante da Igreja Católica. A Reforma envolveu, principalmente, a vida espiritual da época. Martinho Lutero era um monge católico que, a partir do estudo das Escrituras, descobriu a verdade de que o justo deveria viver pela fé (Rm 1.17). Transformado por essa verdade da Palavra de Deus, Lutero desejava agora corrigir os erros que encontrava na Igreja Católica.
No dia 31 de outubro de 1517, véspera do “Dia de todos os Santos”, ele afixou suas 95 teses à porta da Igreja do castelo, na cidade alemã de Wittemberg, combatendo principalmente a venda de indulgência praticada pela Igreja. As indulgências eram documentos que, quando comprados, concediam perdão pelos pecados, tanto para vivos, quanto para parentes já mortos.
A igreja Romana reagiu duramente a esse ato de Lutero, mas iniciava-se ali o movimento da Reforma Protestante. Lutero foi excomungado e perseguido pela Igreja Católica, mas contou com o apoio do povo alemão. A verdade da justificação pela fé estava apenas começando a percorrer a Europa.
Sucederam a Lutero outros grandes reformadores, com João Calvino, Melanchton, Zwínglio e Knox. João Calvino pode ser considerado o grande sistematizador da teologia da Reforma com a sua obra: “As institutas da Religião Cristã” (a instituição da religião cristã) -Veja seção deste site Institutas
Deus conduziu homens para que a Igreja voltasse à verdade da sua Palavra. Os discípulos de Cristo do período da Reforma deixaram marcas profundas na sociedade e na Igreja. Podemos entender melhor essas marcas estudando as “bandeiras” levantadas pelos reformadores – os Sola’s da reforma.
2 – Os Sola’s da Reforma
A palavra latina Solas significa“somente”. Os reformadores definiram cinco lemas usando essas palavras e suas variações. Vejamos.
A. Sola Scriptura Somente as Escrituras
A Bíblia era conhecida somente pelos estudiosos da Igreja Católica que a utilizavam como bem entendiam. A Igreja defendia práticas totalmente estranhas à Palavra de Deus ensinado “doutrinas que são preceitos de homens” (Mc 7.7). O movimento da Reforma disse “não” a esse procedimento da Igreja Romana e afirmou Sola Scriptura, ou seja, somente cremos e praticamos o que a Bíblia ensina, somente a Bíblia deve ser a nossa regra de fé e prática.
Os reformadores se empenharam em traduzir a Bíblia para que todas as pessoas tivessem acesso a ela e pudessem julgar os ensinos da Igreja por meio do próprio estudo da Palavra. Muitas vezes não damos o devido valor ao fato de hoje termos a facilidade da Palavra de Deus impressa em nossa própria língua e não a estudamos tanto quanto deveríamos. Lembre-se: devemos ser guiados somente pela Escrituras.
B. Solus Christus Somente Cristo
Cremos que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática e, estudando-a, verificamos que Cristo é o tema central das Escrituras. Quando a Palavra de Deus é tomada como regra de vida, obrigatoriamente termos Cristo como centro de nosso viver.
Jesus mesmo afirmou que as Escrituras testificam dele (Jo 5.39). Ao caminhar com os discípulos de Emaús, após ter ressuscitado, Cristo falou sobre o fato de que toda a Escritura testificava dele e que aquelas coisas deveriam acontecer (Lc 24.25-27).
A teologia não pode estar centrada no homem, mas em Cristo. A igreja Romana, jeitosamente, colocava o homem no centro. Eram as necessidades do homem que precisavam ser atendidas e não a vontade de Deus expressa em sua Palavra. Devemos nos lembrar das palavras do apóstolo Paulo aos gálatas: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10). Somos servos de Cristo e não de homens. Portanto, somente Cristo.
C. Sola Gratia Somente a Graça
A Igreja Romana ensinava que a graça de Deus era concedida ao crente à medida em que ele cooperava com ela. Os reformadores se levantaram contra isso afirmando a verdade bíblia de que a graça é imerecida. Em momento algum, mesmo que realizando um ato de extrema bondade aos olhos dos homens, somos dignos de qualquer merecimento da parte de Deus. Afirmar que o homem coopera com a graça de Deus é buscar uma pregação centrada nos homem e não em Deus, “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Lembramos, ainda, das palavras de Paulo aos Romanos: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16).
Mesmo no meio evangélico, por vezes, há o equívoco de se pregar uma graça divina submissa à vontade do homem. Dizem os pregadores que, pedindo com insistência, fazendo jejuns, “correntes”,e coisas parecidas, Deus vai responder ao que se está pedindo. Dificilmente se fala sobre a condição miserável do homem em sua natureza pecaminosa e sua necessidade total da maravilhosa graça de Deus. Precisamos urgentemente reafirmar: somente a graça!
D. Sola Fide Somente pela Fé
A Igreja Romana não negou a necessidade da fé para a salvação. Porém, eles referiam-se a uma fé que, na verdade, era um mero consentimento ao ensino da igreja. Não é essa a fé da qual fala bíblia. Os reformadores demonstraram que a fé que traz a salvação é a confiança na promessa de Deus e Cristo de salvar pecadores.
Somos tornados justo pelo sacrifício perfeito de Cristo, pois somente ele é perfeitamente justo. A justiça de Cristo é imputada a nós pela fé. Não se trata de uma fé, que também seria “cooperativa”, mas da fé que nos é concedida por Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).
Devemos ter fé, mas é preciso esforço, empenho, pois podemos “cair da graça”, é o que dizem muitas pregações. A palavra de Deus nos ensina: somente pela fé!
E. Soli Deo Gloria Somente glória a Deus
“Prega a Escritura é pregar a Cristo; pregar é Cristo é pregar a cruz; pregar a cruz é pregar a graça; pregar a graça é pregar a justificação; pregar a justificação é atribuir o todo da salvação à glória de Deus e responder a essa Boa Nova em grata obediência por meio de nossa vocação no mundo.” (Michael Horton, “Os Sola’s da Reforma” in Reforma Hoje, Editora Cultura Cristã, 1999, pág. 124). Essa frase de Michael Horton resume bem o que representam os sola’s da Reforma. Tudo resulta na glória de Deus. Todas a glória é devida ao seu nome. Deus revelou-se através das Escrituras; enviou seu Filho para morrer no lugar de seus escolhidos; concedendo, somente por sua graça, a salvação pela fé. Os alcançados pela graça divina rendem louvores em espírito e em verdade ao Deus Todo-Poderoso.
Devemos nos perguntar se reconhecemos de fato que somente Deus é digno de adoração. É isso que transparece em nossos cultos? Neles, exalta-se o nome de Deus, ou o “grande”pregador, o pastor que cura, o conjunto musical? Os pregadores, em seus púlpitos, estão preocupados em render glória a Deus por meio de sua pregação ou somente em fornecer mensagens “confortadora” para o rebanho, que sirvam como um momento de “relaxamento” e “descontração”? Devemos ter em mente que toda glória deve ser dada somente a Deus.
Conclusão
A Reforma Protestante foi marcada por homens que decidiram seguir a Jesus, que fizeram de sua vida um testemunho do que Deus pode fazer na vida de qualquer um de nós. Devemos estar dispostos a, assim como aqueles homens, defender as doutrinas principais da bíblia e proclamá-la em alto e bom som.
Que Deus nos conceda ousadia e coragem para anunciarmos a verdade de sua palavra àqueles que estão em caminhos tortuosos.
Autor: Fernando de Almeida
Fonte: Palavra viva - revista – Criação e Redenção, Lição 7,8, pg 25,29-31, editora Cep.

Daily Devotional - English ( Devocional diária em inglês)

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October 31

Twilight: The Great Invitation

by the Rev. Andrew Kuyvenhoven
Monthly Theme:

Isaiah's God is the Holy One of Israel. In God's presence we have to be morally clean. God has chosen his Servant, who will rule in righteousness in a kingdom of peace.



Bible Reading:

Isaiah 55:1–5


Bible Text:

"Come, all who are thirsty, come to the waters; and you who have no money, come, buy and eat! Come, buy wine and milk" (lsa. 55:1).


Devotional:

Nothing in the Old Testament comes closer to the New Testament gospel than this part of Isaiah. In chapter 53 the faithful servant obtains our salvation by giving his life as an offering for our sins. And in today's passage God opens wide the doors and invites the world to the joy of his salvation.



Four times he says, "Come!" All who will ever participate in the salvation of God must obey this call. "Come!"



God uses seven more commands in this short passage: "Buy! Eat! Listen! Listen! Give ear! Come! Hear!"



All these commands indicate essentially the same thing. And everyone in this world is personally responsible to react accordingly and obey the gracious call of the gospel. You and I must come and eat. We must hear and obey and be persuaded and go—all through the same door, all to God. The door is Jesus. And God's gift of salvation is presented under the symbols of water, which stands for the basic need of humanity; milk, which is more special; and wine, which makes it a feast.



God calls us to the banquet of salvation. He urges us to come, telling us not to foolishly try to buy with money what can be had only by grace.



No money can ever buy life. But they who believe the gospel will have life eternally.








Andrew Kuyvenhoven's Daylight, a modern devotional classic, was originally published in 1994. This edition is copyright by Faith Alive Christian Resources, from whom may be ordered Daylight, the predecessor of Twilight.

A man of many accomplishments, Andrew Kuyvenhoven is probably best known for his contributions to Today (formerly The Family Altar), a widely-used monthly devotional booklet associated with the Back to God Hour. Unless otherwise indicated, Scripture quotations for this edition of Twilight are from the New International Version Be sure to read the "Preface" and the "Acknowledgments" by the author.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Daily Devotional - English ( Devocional diária em inglês)

Daily Devotional

October 29


Twilight: God's Plan of Salvation

by the Rev. Andrew Kuyvenhoven

Monthly Theme:

Isaiah's God is the Holy One of Israel. In God's presence we have to be morally clean. God has chosen his Servant, who will rule in righteousness in a kingdom of peace.



Bible Reading:

Isaiah 53:7–12



Bible Text:

When you (the LORD) make his life an offering for sin, he shall see his offspring and prolong his days (Isa. 53:10, NRSV).



Devotional:

In these final stanzas of the song about the suffering servant, we gain some great perspectives. This innocent man was not merely a victim of human hatred. God demanded his death. "It was the Lord's will to crush him."

We also learn that his death had a particular purpose: God considered his servant's death a "sin offering." That sets this death apart from all other tragedies. It puts it on the same level as the Old Testament guilt offerings of animals. In the temple such offerings happened all the time. Someone would lay his or her hands on the animal and surrender the sacrifice in order to receive forgiveness and cleansing.

God accepted the servant's death as an offering for the sin and guilt of others. So, the servant was a priest. He himself was the sacrifice. And the watching world became the congregation for whom the Priest made atonement.

The death was in God's plan of salvation. Therefore this death was not the end of a good life, but a finished assignment and a new beginning: "he shall see his offspring"; "he will see the light of life"; "my righteous servant will justify many."

We read this Scripture in the light of the New Testament. After his resurrection Christ began to harvest what he sowed in his death. You and I belong to the great multitude for whom "he poured out his life unto death."

We belong to the transgressors for whom he prayed.





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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A história da Reforma Protestante e a Contra-Reforma Católica



 
 
 
 
O que segue abaixo foi retirado do livro didático Caminhos das Civilizações – Da Pré-História aos dias atuais de José Geraldo Vinci de Moraes. O autor escreve a história desprezando o lado espiritual da Reforma Protestante no qual foi à razão fundamental. Embora a reforma envolvesse mudanças sociais e políticas, sabemos que essência dela foi Espiritual. O retorno as Escrituras. Sola Scriptura – Somente as Escrituras, Solus Christus – Somente Cristo, Sola Gratia – Somente a Graça, Sola Fide – Somente pela Fé, Soli Deo Gloria – Somente glória a Deus.]
Introdução
Já sabemos que a Igreja foi uma poderosa instituição medieval. Mas entre os séculos XI e XIII, ela passou por diversas crises e mudanças, surgindo daí inúmeros movimentos que criticavam seus valores e posturas:
  • As heresias, que contestavam certos dogmas da Igreja Católica e por isso foram duramente perseguidas;
  • As ordens mendicantes, correntes internas que questionavam a preocupação da Igreja com as questões materiais;
  • As reações da própria Igreja para combater esses movimentos, principalmente a reforma gregoriana (do papa Gregório VII, na primeira metade do século XI) e a instituição da Santa Inquisição, no século XIII.[1}
A partir do século XV as críticas à Igreja Católica retornaram, ganhando muitas forças no século XVI. Os conflitos e as diferenças dentro da Igreja tornaram-se tão séria neste século, que acabaram gerando uma cisão na cristandade por meio da Reforma Protestante.
Alguns fatores gerais
No século XV, com as profundas transformações que ocorriam na Europa (a expansão marítima, o renascimento urbano e comercial e o humanismo/Renascimento), os movimentos que questionavam o excessivo comprometimento da Igreja Católica com os problemas mundanos e materiais ganharam mais espaço e força para se desenvolverem.
Dois fatos colaboraram muito para agravar ainda mais a situação da Igreja ao longo dos séculos XV e XVI:
  • A crescente onda de corrupção com a venda de indulgência, relíquias religiosas e cargos eclesiásticos importantes, bem como a concubinagem do clero.
  • E, ao mesmo tempo que o papa (autoridade máxima da Igreja) perdia poder para monarquias nacionais, enfraquecendo-se, cometia abusos políticos, envolvendo-se em acordos e golpes políticos com o objetivo de universalizar sua influência na Europa católica.
A Igreja tornava-se cada vez mais vulnerável tanto no aspecto moral quando no religioso. As insatisfações generalizavam-se por toda a Europa.
A burguesia estava insatisfeita porque seus interesses chocavam-se com as posturas da Igrejas, como, por exemplo, a condenação da usura (lucro proveniente de juros exagerados) e da cobiça (desejo de possuir bens materiais e poder). Os Estados nacionais (ou o rei) queriam limitar os poderes temporais da Igreja nas suas fronteiras. O fiel de origem humilde via a Igreja defendo a exploração feudal e não encontrava nela o apoio espiritual de que tanto precisava naquela época de crise.
No aspecto teórico, o Renascimento foi muito importante, uma vez que, de acordo com sua postura antropocêntrica valorizava o homem e sua individualidade e ainda o espírito critico do intelectual e cientista. Isto contribuiu muito para uma aproximação entre fé e razão e para a revisão de atitudes religiosas, como a idéia de que a interlocução com Deus poderia ser individual, sem a mediação do clero; ou ainda que a interpretação da Bíblia deveria ser livre e pessoal.
Gradativamente, forma sendo criadas na Europa condições para o surgimento de religiões mais adaptadas ao espírito capitalista.
Nesse quadro de insatisfações surgiram os primeiros reformistas [também chamados de pré-reformadores]: o inglês John Wycliffe, professor da Universidade de Oxford, já defendia (entre o final do século XIV e o início do XVI) a livre interpretação da Bíblia, o fim dos impostos clericais e questionava a existência da hierarquia eclesiástica.
O tcheco John Huss, professor da Universidade de Praga, foi um seguidor das idéias de John Wycliffe. Ele defendia, nessa mesma época, a utilização das línguas nacionais nos cultos religiosos, em vez do latim; chegou até a traduzir a Bíblia para seu idioma, o que era um sacrilégio. Foi condenado pela Igreja em 1417 e morto na fogueira.
Essas primeiras iniciativas não tiveram muita repercussão, ficando restrita às igrejas de seus países, o que não ocorreu com os reformadores seguintes.
A Reforma Protestante na Alemanha
No século XVI a Alemanha não existia como a conhecemos hoje; ela fazia parte de um império mais extenso, o Sacro Império Romano-Germânico. O Império estava divido em diversas regiões independentes, os principados. Logo, o poder estava descentralizado nas mãos dos príncipes (a centralização do Estado alemão só viria a ocorrer no século XIX), que comandavam todas as ações na sua região.
O Sacro Império e a Igreja Católica disputavam o poder na região, produzindo alguns conflitos. Grande proprietária de terras, a Igreja alemã continuava vinculada ao mundo feudal, explorando os camponeses e impedindo o desenvolvimento do comércio e, conseqüentemente, da burguesia. Além disso, em razão da sua grande força nas questões temporais, a corrupção e a decadência moral da Igreja assumiam grandes proporções na Alemanha. A sociedade, de maneira geral, a via de forma muito negativa.
Por isso, em outro de 1517, o monge agostiniano (portanto, membro da Igreja Católica) e professor universitário Martinho Lutero (1483 – 1546) afixou na porta da catedral de Wittenberg 95 teses e que denunciava e protestava contra a venda de indulgências.
O papa, na época Leão X, exigiu sua retratação, o que não ocorreu, prolongando o conflito por cerca de três anos. Finalmente, em 1520, Lutero foi excomungado pelo papa. Para demonstrar sua insatisfação, ele queimou em público a bula papal que o condenava. Em virtude de sua radicalidade, Lutero foi proscrito do Império. No entanto, o príncipe Frederico da Saxônia o acolheu em seu castelo.Protegido no castelo, Martinho Lutero traduziu a Bíblia do latim para o alemão (o que era proibido na Época [pela Igreja Católica]).

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October 24

Twilight: The Restoration of Israel

by the Rev. Andrew Kuyvenhoven
Monthly Theme:

Isaiah's God is the Holy One of Israel. In God's presence we have to be morally clean. God has chosen his Servant, who will rule in righteousness in a kingdom of peace.

Bible Reading:

Isaiah 49:8–13

Bible Text:

"In the day of salvation I will help you ... to say to the captives 'Come out,' and to those in darkness, 'Be free!' " (Isa. 49:8–9).

Devotional:

"In the time of my favor I will answer you, and in the day of salvation I will help you," says God.
God promises that there will be a second great deliverance. Just as God's people once walked out of their chains in Egypt, so there will be another "exodus." On that day God will order the captives to "come out!" and those who sit in darkness to "be free!"—to join in the celebration of the Year of Jubilee (or: "the time of God's favor").

When will this prophecy come true?

This great hour is now, says the apostle Paul. "I tell you, now is the time of God's favor, now is the day of salvation" (2 Cor. 6:2). The great restoration began with the death and resurrection of Jesus Christ.

That means you and I are living in the day of the great ingathering, which is also called the restoration of Israel. During this time more children of Israel have had their natural birth outside of the Jewish family. "The children born during your bereavement," O Jerusalem, are numerous. And mother Jerusalem says: "I was bereaved and barren ... but these—where have they come from?" (49:21).

Some say that another "day of grace" is still coming for the ingathering of the Jews. But Paul was not counting on it, and neither should we.

This is the hour for all Jews and Gentiles to become Christians. Come out of captivity! Let Christ set you free!





terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Relevância da Reforma

A Reforma Protestante do século XVI foi um fenômeno variado e complexo, que incluiu fatores políticos, sociais e intelectuais. Todavia, o seu elemento principal foi religioso, ou seja, a busca de um novo entendimento sobre a relação entre Deus e os seres humanos. Nesse esforço, a Reforma apoiou-se em três fundamentos ou pressupostos essenciais:

1. A centralidade da Escritura

Os reformadores redescobriram a Bíblia, que no final da Idade Média era um livro pouco acessível para a maioria dos cristãos. Eles estudaram, pregaram e traduziram a Palavra de Deus, tornando-a conhecida das pessoas. Eles afirmaram que a Escritura deve ser o padrão básico da fé e da vida cristã (2 Tm 3.16-17). Todas as convicções e práticas da Igreja deviam ser reavaliadas à luz da revelação especial de Deus. Esse princípio ficou consagrado na expressão latina“Sola Scriptura”, ou seja, somente a Escritura é a norma suprema para aquilo que os fiéis e a Igreja devem crer e praticar. Evidentemente, tal princípio teve conseqüências revolucionárias.

2. A justificação pela fé

Outro fundamento da Reforma, decorrente do anterior, foi a redescoberta do ensino bíblico de que a salvação é inteiramente uma dádiva da graça de Deus, sendo recebida por meio da fé, que também é dom do alto (Ef 2.8-9). Tendo em vista a obra expiatória realizada por Jesus Cristo na cruz, Deus justifica o pecador que crê, isto é, declara-o justo e aceita-o como justo, possuidor não de uma justiça própria, mas da justiça de Cristo. Essa verdade solene e fundamental foi afirmada pelos reformadores em três expressões latinas: “Solo Christo”,“Sola gratia” e “Sola fides”. Justificado pela graça mediante a fé, e não por obras, o pecador redimido é chamado para uma vida de serviço a Deus e ao próximo.

3. O sacerdócio de todos os crentes

A Igreja Medieval era dividida em duas partes: de um lado estava o clero, os religiosos, a hierarquia, a instituição eclesiástica; do outro lado estavam os fiéis, os leigos, os cristãos comuns. Acreditava-se que a salvação destes dependia da ministração daqueles. À luz das Escrituras, os reformadores eliminaram essa distinção. Todos, ministros e fiéis, são o povo de Deus, são sacerdotes do Altíssimo (1 Pedro 2.9-10). Como tais, todos têm livre acesso à presença do Pai, tendo como único mediador o Senhor Jesus Cristo. Além disso, cada cristão tem um ministério a realizar, como sacerdote, servo e instrumento de Deus na Igreja e na sociedade. Que esses princípios basilares, repletos de implicações revolucionárias, continuem sendo cultivados e vividos pelos herdeiros da Reforma.


Autor: Rev. Alderi Souza de Matos

Série: A Reforma Protestante

 
 Em comemoração aos 495 anos da Reforma Protestante publicaremos uma série de considerações breves para que nossos amados leitores possam vislumbrar um pouco mais acerca desse grande movimento espiritual que acabou por influênciar  diversas áreas da sociedade.
 
 31 de Outubro de 2012, 495 anos da Reforma Protestante!

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October 23

Twilight: The Servant of the LORD


by the Rev. Andrew Kuyvenhoven

Monthly Theme:


Isaiah's God is the Holy One of Israel. In God's presence we have to be morally clean. God has chosen his Servant, who will rule in righteousness in a kingdom of peace.



Bible Reading:



Isaiah 49:1–7



Bible Text:



"I will also make you a light for the Gentiles, that you may bring my salvation to the ends of the earth" (lsa. 49:6).



Devotional:



"Who is the servant of the Lord in the poems of Isaiah?" (Isa. 42–53). That's a question you'll want to consider in your study of Isaiah.



It's the same question once asked by a man who traveled from the heart of Africa to the city of Jerusalem. The man was sitting in a chauffeured vehicle, the Cadillac of chariots, and he was reading Isaiah 53. "Who is the servant?" he said. "Is the prophet talking about himself or someone else?" (Acts 8:33).



Philip the evangelist helped the man see that the "servant" is Jesus. But from our own study we know that the "servant" is also sometimes Israel, sometimes the remnant of Israel, sometimes the prophet as a picture of Christ.



And sometimes that servant is us.



We call Isaiah 43:6 the great commission of the Old Testament: The servant must be a light for the Gentiles and bring salvation to the ends of the earth. At first that servant was Israel, but Israel was unable to complete the task. Only Jesus could fulfill the commission of Israel. Simeon called him the "light for revelation to the Gentiles" (Luke 2:32).



God's suffering "servant Jesus" has now been glorified, said Peter (Acts 3:13). But he gave us his Spirit. Today the light that brings the knowledge of salvation to a dark world is carried by the restored Israel, God's people in Christ Jesus. They fulfill the great commission of the Old Testament, says Paul: "I have made you a light for the Gentiles, that you may bring salvation to the ends of the earth" (Acts 13:47).












Andrew Kuyvenhoven's Daylight, a modern devotional classic, was originally published in 1994. This edition is copyright by Faith Alive Christian Resources, from whom may be ordered Daylight, the predecessor of Twilight.

A man of many accomplishments, Andrew Kuyvenhoven is probably best known for his contributions to Today (formerly The Family Altar), a widely-used monthly devotional booklet associated with the Back to God Hour. Unless otherwise indicated, Scripture quotations for this edition of Twilight are from the New International Version

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Daily Devotional - English ( Devocional diária em inglês)

Daily Devotional

October 22

Twilight: God Gave an Assignment to Cyrus

by the Rev. Andrew Kuyvenhoven

Monthly Theme:


Isaiah's God is the Holy One of Israel. In God's presence we have to be morally clean. God has chosen his Servant, who will rule in righteousness in a kingdom of peace.



Bible Reading:

Isaiah 45:1–4



Bible Text:



"This is what the LORD says to his anointed, to Cyrus whose right hand I take hold of...." (Isa. 45:1).



Devotional:



Cyrus founded the Persian empire. He conquered Babylon in the year 539 B.C. In the book of Daniel we know his kingdom as that "of the Medes and Persians." In the book of Ezra we read about Cyrus's decree that allowed the Jews to return to the ruins of Jerusalem. And through Isaiah we learn something about the relationship between God and Cyrus.

God calls Cyrus "my shepherd" (44:28) and even my "anointed" (45: 1). "Anointed" has the same meaning as "Messiah." It was David's title and the name of our Lord Jesus. Most of us are a little shocked when we discover that God calls the pagan emperor Cyrus his "Messiah."

God says that he helped Cyrus conquer the world "for the sake of Jacob my servant, Israel my chosen." God put into Cyrus' heart the idea to reverse the policy of the Assyrians and Babylonians. Cyrus allowed the exiled tribes to resettle in their own countries. By order of Cyrus (and his successors) the remnant of the Jewish exiles returned home and rebuilt Jerusalem.

This is a very comforting revelation. God overrules the rulers of the world. The sovereign God moves the pieces on the board as a grand master in chess.

The course of history remains inscrutable to us. But we have the assurance that no upheaval in this world can ruin God's plan. Even our opponents are instruments in the Lord's hand.











Andrew Kuyvenhoven's Daylight, a modern devotional classic, was originally published in 1994. This edition is copyright by Faith Alive Christian Resources, from whom may be ordered Daylight, the predecessor of Twilight.

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sábado, 20 de outubro de 2012

Daily Devotional - English ( Devocional diária em inglês)


October 20
Twilight: God's Promised Presence
by the Rev. Andrew Kuyvenhoven
Monthly Theme:
Isaiah's God is the Holy One of Israel. In God's presence we have to be morally clean. God has chosen his Servant, who will rule in righteousness in a kingdom of peace.
Bible Reading:
  Isaiah 43:1–7 
Bible Text:
"When you pass through the waters, I will be with you ... When you walk through the fire, you will not be burned" (Isa. 43:2). 
Devotional:
If you belong to Christ, the promise of this text is for you. Originally God spoke these words to Israel—or to the remnant of that nation. "I created and formed you as my own nation;' the Lord said, "and I promise not to forsake you in the floods and in the fire." "I'd rather give up three Gentile nations as the price of keeping you." "I love you; I have called you by your name; you are mine."
All these things God has said to us in Christ. He did not give up other nations for us, but he gave up his own Son as a ransom to make us his own. He called us by name and baptized us into his Name. No power in heaven or on earth can separate us from God's love in Christ Jesus.
This doesn't mean that we will never have to go through deep waters. We may have to walk through the fire, so to speak. Anyone who says that God has promised to keep us from pain, danger, hard trials, and unwelcome sufferings is not being true to God's Word. God has never promised us an easy journey.
However, God does say here that when we pass through the waters, he will be with us. When we go through the river, we will not drown. And when we walk through the fire, we will not be consumed, because God himself will be with us.
There may be a tough road ahead, but we travel with God.
We may get into deep water, but we will not be alone.


Andrew Kuyvenhoven's Daylight, a modern devotional classic, was originally published in 1994. This edition is copyright by Faith Alive Christian Resources, from whom may be ordered Daylight, the predecessor of Twilight.
A man of many accomplishments, Andrew Kuyvenhoven is probably best known for his contributions to Today (formerly The Family Altar), a widely-used monthly devotional booklet associated with the Back to God Hour. Unless otherwise indicated, Scripture quotations for this edition of Twilight are from the New International Version ,

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Cruz Presbiteriana

Acima podemos conehcer um pouco mais da história e dos Símbolos da Igreja Presbiteriana.


O Batismo Infantil segundo a tradição Reformada

 



 
 
 
"Mas a Escritura nos conduz a um maior conhecimento da verdade. Porque é plenamente certo que a aliança que no passado Deus fez com Abraão, declarando-se seu Deus e da sua descendência, não se aplica menos aos cristãos hoje do que se aplicava antigamente ao povo de Israel; e esta palavra não se aplica menos aos cristãos do que no passado se aplicava aos pais do Antigo Testamento. Pois, de outro modo, ocorreria esta conseqüência: a vinda de Cristo teria diminuído a graça e a misericórdia de Deus - mas dizer ou pensar isto seria uma horrenda blasfêmia.

Outra coisa: assim como os filhos dos judeus eram chamados linhagem santa, porque eram herdeiros da aliança e eram separados dos filhos dos incrédulos e dos idólataras, assim também os filhos dos crentes são chamados santos, ainda que só o pai ou a mãe seja crente; e o testemunho da Escritura os distingue. Pois bem, depois que o Senhor estabeleceu esta aliança com Abraão, determinou que a mesma fosse selada nas crianças com o sacramento visível e externo. Que desculpa podemos dar para não testificarmos a aliança e não a selarmos hoje como se fazia naquele tempo? E não vale replicar dizendo que o Senhor não instituiu nenhum outro sacramento para testificar esta aliança, senão o sacramento da Circuncisão, que já foi abolido. É fácil responder a essa objeção. Basta dizer que o Senhor instituiu a Circuncisão naquele tempo para confirmar a sua aliança, e que, abolida a Circuncisão, continuou e continua sempre de pé a razão pela qual se deve confirmar a aliança, visto que ela atende tanto a nós como no passado aos judeus. E, portanto, devemos observar sempre o que temos em comum com eles, considerando também o que é semelhante e o que é diferente. A aliança é comum a nós e a eles, e o motivo para a sua confirmação é semelhante; a diferença consiste apenas nisto: eles tinham a Circuncisão para confirmá-la, nós hoje temos o Batismo para esse mesmo fim. De outro modo, a vinda de Cristo teria feito que a misericórdia de Deus se manifestasse menos sobre nós do que o fez para os judeus - se nos fosse tirado o testemunho que eles tinham para os seus filhos.

Se não se pode dizerisso sem fazer grave ultraje a Jesus Cristo, por intermédio de quem a bondade infinita do Senhor foi distribuída e manifestada mais ampla e ricamente que nunca sobre a terra, é necessário conceder que a graça de Deus mediante Jesus Cristo não deve ser mais oculta nem menos segura que o era sob as sombras ou figuras da Lei.

Por essa razão, o Senhor Jesus, querendo mostrar que veio a esse mundo para aumentar e multiplicar as graças de seu Pai, e não para diminuí-las ou restringi-las, recebeu e abraçou bondosamente as crianças que lhe foram apresentadas e repreendeu os seus apóstolos, que queriam impedi-las e procuravam afastar dele, sendo ele o único caminho de acesso aos céus, aqueles aos quais pertence o reino dos céus.

Primeira: mas alguém perguntará: que semelhança há entre esse abraço de Jesus e o Batismo? Porque a narrativa não diz que as crianças foram batizadas, mas somente que ele as abraçou e orou por elas. Se quisermos seguir fielmente o exemplo do Senhor, devemos orar pelas crianças, e não batizá-las, pois ele não as batizou.

Pois bem, devemos examinar a doutrina da Escritura melhor que essa gente, pois não foi alguma coisa leviana ou superficial que levou Jesus a querer que "os pequeninos" lhe fossem apresentados; ele mesmo acrescentou o motivo, dizendo: "Porque dos tais é o reino dos céus". E logo depois manifestou com atos a sua vontade, abraçando-os e orando por eles. Agora, se é razoável levar crianças a Jesus Cristo, por que não há de ser lícito recebê-las para o Batismo, que é o sinal exterior pelo qual Jesus Cristo nos declara a comunhão que temos com ele? Se o reino dos céus lhes pertence, como lhes negar o sinal que nos serve de ingresso na igreja, para que, como membros da igreja, sejamos declarados herdeiros do reino de Deus? Não seríamos maus em expulsar aqueles que o Senhor chama a si? Em negar-lhes o que ele lhes dá? Em fechar-lhes a porta quando Ele a abre para eles? E se a questão é separar do Batismo aquilo que Jesus Cristo fez, que é que devemos considerar maior e mais importante: o fato de que Jesus recebeu os pequeninos, impôs as mãos sobre eles, sinal de santificação, e orou por eles, demonstrando que eles lhe pertencem, ou que, pelo Batismo, testifiquemos que eles pertencem à sua aliança?

As outras astúcias e manobras sutis feitas como meio de escapar da passagem que estamos estudando são por demais frívolas. Claro, pois querer provar que as crianças eram já bem crescidas, visto que Jesus as chamou e lhes disse que viessem a ele é argumento que evidentemente repugna ao texto da Escritura, que se refere àquelas crianças chamando-as de "criancinhas de colo", que precisavam ser carregadas. Dessa forma, a palavra "vir" deve ser interpretada como "aproximar-se" simplesmente. Veja o leitor como os que teimam contra a verdade procuram em cada sílaba matéria para as suas evasivas!

Segunda objeção: afirmar que Jesus não disse que o reino dos céus pertence às crianças, mas aos que são semelhantes a elas, também é outra escapatória. É o que digo porque, se fosse assim, por que motivo o Senhor haveria de mostrar que desejava que as criancinhas se aproximassem dele? Quando ele diz "Deixai vir a mim os pequeninos", não há nada que seja mais certo que o fato de que ele fala de crianças na idade. E para dar a entender que o que faz é razoável, acrescenta: "Porque dos tais é o reino dos céus". Nisso as criancinhas na idade estão necessariamente incluídas. E devemos entender a expressão "dos tais" da seguinte maneira: as crianças e aos que são semelhantes a elas pertence o reino dos céus.

Terceira objeção: já não pode haver quem não enxergue que o Batismo infantil não foi forjado temerariamente pelos homens, pois tem evidente aprovação das Escrituras. E não nos impressiona a objeção feita por alguns, qual seja: não se pode mostrar pela Escritura que alguma criança foi batizada pelos apóstolos. Não nos impressiona essa objeção porque, mesmo admitindo a inexistência de algum texto que o demonstre expressamente, não quer dizer que os apóstolos não tenham batizado crianças, visto que elas não são excluídas quando se faz menção de Batismo aplicado a uma família. Se fôssemos aceitar esse falso argumento, não poderíamos permitir que as mulheres fossem admitidas à Ceia do Senhor, pois nunca se diz na Escritura que elas tenham comungado no tempo dos apóstolos. Mas neste ponto seguimos a regra de fé, pertinente no caso, só levando em conta se a instituição da Ceia lhes convém, e se é da intenção do Senhor que seja ministrada a elas. É o que também fazemos com relação ao Batismo, tendo em vista o seguinte: quando consideramos a finalidade para o qual ele foi ordenado e instituído, vemos que este sacramento não pertence menos às crianças que às pessoas de mais idade. Dessa forma, negar o Batismo às crianças seria fraudar a intenção do Senhor. E o que alguns semeiam é pura mentira, quando dizem que só muito tempo depois dos apóstolos é que se introduziu a prática do Batismo infantil. O fato é que não há nenhuma história antiga, desde o tempo da igreja primitiva, que não testifique que naquele tempo essa prática já estava em uso." (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã, 4, XI, 32-35)

sábado, 6 de outubro de 2012

A Igreja e Israel no Antigo Testamento - por Iain Duguid




No começo, Deus criou Adão e Eva para serem uma comunidade de adoração: Ele seria seu Deus e eles seriam Seu povo. A queda, entretanto, destruiu a relação deles um com o outro, assim como com Deus, uma divisão que foi aprofundada até mesmo na próxima geração, quando Caim matou seu irmão. A trajetória afastada de Deus iniciada pela linha de Caim acabou em uma falsificada comunidade de adoração em Babel (Genesis 11). Ao mesmo tempo, uma linha de verdadeiros adoradores correu através de Set até Abrão - Abraão - de quem Deus prometeu fazer uma grande nação e através de quem Ele prometeu abençoar todas as nações da terra. (Genesis 12:1-3)

Deus prometeu à Jacó, neto de Abraão, que Ele tornaria seus doze filhos em uma harmoniosa "comunidade de nações" adoradora (Genesis 28:3) que seria conhecida por seu novo nome, "Israel". Significativamente, a palavra hebraica usada aqui para "comunidade" é qāhāl, a qual a tradução grega do Antigo Testamento muitas vezes torna como ekklēsia, "igreja". Este objetivo de uma comunidade de adoração foi alcançada depois do êxodo do Egito quando o povo veio ao Monte Sinai. Lá, Deus declarou aos Israelitas que eles eram sua possessão, um reino de sacerdotes e uma santa nação (Êxodo 19:5-6). O Senhor prometeu habitar entre eles como seu Deus (Êxodo 29:45). Mas o povo não comprometeu-se a esta relação pactual com o Senhor e então eles o abandonaram. Enquanto Moisés estava no topo da montanha recebendo instrução do Senhor, o povo estava na base fabricando falsos deuses. Estava claro desde o princípio que a "santa nação" não tinha poder para viver segundo seu chamado.

Os profetas desdobram para nós o resto da história de Israel: A despeito da fidelidade de Deus para com eles, eles eram filhos corruptos e rebeldes (Isaías 1:2) e uma esposa adúltera (Oseias 1-3). Esta herança de infidelidade pertenceu igualmente aos reinos do norte e do sul: Israel e Judá eram duas irmãs (Ezequiel 16, 23) que iriam encarar, cada uma, a punição de destruição e exílio (Ezequiel 4:4-6). O Senhor não poderia habitar no meio de uma tão profana nação. Ele abandonou seu lugar escolhido de morada em Jerusalém  deixando seu povo à mercê de seus inimigos babilônicos (Ezequiel 8-11)

Mas a destruição de Israel no exílio não poderia ser o final da história. Porque o Senhor havia anexado Seu nome à Israel, a nação deveria ser restaurada pois Seu santo nome havia sido profanado entre as nações (Ezequiel 20:14). As promessas feitas no Monte Sinai tinham que ser cumpridas (Jeremias 33:20-21), então as duas nações de Israel e Judá seriam restauradas pelo Senhor em um único, reunido corpo feito de todas as famílias de Israel (Jeremias 31:1) debaixo de um único rei (Ezequiel 37:16-22). A mais importante promessa era a transformação espiritual de Israel em um povo novo, cujos insensíveis corações seriam mudados em novos corações debaixo de uma nova aliança (Jeremias 31:31-33), por um derramar do Espírito de Deus (Ezequiel 36:22-28). O novo Israel se tornaria servo do Senhor, uma luz para os gentios, trazendo cura para todas as nações (Isaías 42:6,10). Porém, o novo Israel retratado em Isaías 40-48 continuou sendo um fraco povo que necessitava de constante exortação para obedecerem, bem como encorajamento para confiar no amor fiel de Deus para com eles. Para cumprir os propósitos de Deus, um outro, um melhor Israel era requerido, um servo que tomaria o lugar de Israel, fazendo o que Israel não conseguia fazer, cumprindo seu chamado de trazer luz para as nações (Isaías 49:6)

Este servo "Israel" tomou carne na pessoa de Jesus Cristo. Desde o momento de Seu nascimento, Ele reviveu a história de Israel, descendo ao Egito, então assim ele poderia ser o verdadeiro filho que Deus chamou do Egito (Mateus 2:15, citando Oséias 11:1). Assim como Israel passou pelo Mar Vermelho, Jesus passou pelas águas do batismo (Mateus 3) antes de ser levado ao deserto, onde Ele venceu as mesmas tentações pelas quais Israel caiu (Mateus 4). No começo de Seu ministério, Jesus leu Isaías 61:1-2, declarando que a Escritura foi cumprida na presença de seus ouvintes (Lucas 4:18-19): Ele próprio era o prometido Servo sobre quem o Espírito de Deus estaria. Como o novo Israel, Jesus cumpriu perfeitamente as demandas da lei. A nova aliança que Jeremias antecipou foi estabelecida em Seu sangue (Lucas 22:20). Jesus cumpriu o design original de Deus para a santidade humana, assim incorporando pessoalmente o novo Israel que os profetas viram.

Como Jesus Cristo é Ele próprio o novo Israel, todos aqueles unidos a Ele pela fé são também incorporados ao novo Israel de Deus (Gálatas 6:16). Ele é a videira verdadeira, a clássica imagem de Israel no Antigo Testamento, e nós somos os Seus ramos (João 15). Porque Cristo é a pedra angular da casa de Deus, aqueles que estão juntos a Ele se tornam pedras vivas nesta casa (1ª Pedro 2:4-5) e podem ser descritos pela mesma terminologia que descreveu Israel no Antigo Testamento: em Cristo, nós somos "uma raça eleita, sacerdócio real, uma santa nação" (1ª Pedro 2:9-10)

Ser parte deste Israel da nova aliança é, então, não um caso de ser descendente físico de Abraão, mas ao invés disso, compartilhar o arrependimento e fé de Abraão (Lucas 3:8). O novo povo de Deus inclui Judeus e Gentios juntos (Gálatas 3:28), como ambos estão enxertados na nova oliveira, Cristo/Israel (Romanos 11:17-24). Isto não significa que Deus esqueceu Suas promessas para os descendentes físicos de Abraão (Romanos 11:1). Certamente não. Mas nem todo aquele que é descendente físico de Abraão é parte do novo Israel (Romanos 9:6). A restauração de Israel prometida nos profetas é realizada enquanto o evangelho é pregado em Jerusalém e Judeia (o reino do sul), Samaria (o reino do norte), e nos confins da terra, assim finalmente trazendo a luz de Deus para os gentios (Atos 1:8).

No livro de Apocalipse, João ouviu o povo de Deus descrito como um grupo de 144000, feito das doze tribos de Israel (Apocalipse 7:4-8). Quando ele olhou novamente, descobriu que este mesmo grupo era de uma multidão inumerável, de toda tribo e nação (Apocalipse 7:9-12). A noiva de Deus, a imagem usada no Antigo Testamento para Israel, é a Igreja, e um dia ela não mais estará contaminada pelo pecado, mas adornada para seu marido (Apocalipse 21:2). Naquele dia, o propósito e plano originais de Deus para Israel - de ter um povo unido, santo, pertencente a Ele - serão finalmente cumpridos no casamento de Cristo com a Sua Igreja.

Escrito por Iain Duguid
Texto original: Ligonier Ministries
Tradução: Jonathan Arthur Morandi